A historia das pessoas com deficiências se confunde com
a historia da própria humanidade.
Historicamente ela sempre estive
presente no panorama da humanidade. Na Idade Antiga, por exemplo, a Pessoa com
Deformidade Corporal não podia oferecer dádivas a Deus. Muitos grupos nômades
abandonavam o Deficiente a própria sorte e outros os sacrificavam. Além daquele
que associava a Deficiência aos poderes diabólicos: bruxos, demônios devendo
este ser eliminado.
Somente por volta do Século XIV
que a Pessoa Com Deficiências passa a ter algum direto e dever que
gradativamente vem sendo conquistado até os dias de hoje, porém com muita luta.
Nesta época a maioria das Pessoas Com Deficiências ainda dependiam da caridade
local vivendo em asilos, manicômios ou mendigando pelas ruas.
Apenas
no século XVI que começaram a surgir às primeiras escolas e estudos sobre as
Deficiências e a partir destas escolas começaram realmente aparecer às
primeiras organizações de luta da e pela pessoa com deficiências.
Principalmente na Europa, EUA e Canadá. Somente com a instituição da Escola
para Cego Benjamin Constant no Rio de Janeiro, trazida pela Família Real no
inicio do Século XIX que o Brasil começou a olhar para este grupo de pessoas.
Ao longo deste Século a pessoa com
deficiências foram aos poucos conquistando seu espaço. Já no inicio do Século
XX após a Primeira Guerra Mundial foi quando realmente a Pessoa Com Deficiência
passa a falar por ela mesma. Era na verdade soldados Americanos que
participaram da Guerra e que voltaram mutilados, lesionados. Sem expectativa de
um novo trabalho, foi para rua lutar por seus direitos e exigindo uma condição
melhor. Após a Segunda Guerra Mundial com um numero ainda maior de Pessoa Com
Deficiência chegavam das batalhas, estes movimentos cresceram e com o
surgimento da ONU, OMS, UNESCO no final dos anos quarenta. Assim os movimentos
ganhavam forças e se espalharam pelo mundo. No Brasil, surgem os primeiros
grupos organizados de pessoas com deficiências. Mas foi apenas no ano de 1981 -
Ano Internacional das pessoas com deficiências instituídas pela ONU que os
movimentos ganharam força e obtendo representatividade na sociedade. Surgem a
partir deste ano várias Leis foram aos poucos se adaptando à nossa realidade.
O Dia Nacional de Luta das Pessoas
com Deficiências foi instituído pelo movimento social em Encontro Nacional ,
em 1982, com todas as entidades nacionais. Foi escolhido o dia 21 de setembro
pela proximidade com a primavera e o dia da árvore numa representação do
nascimento de nossas reivindicações de cidadania e participação plena em
igualdade de condições.
Esta data é comemorada e lembrada
todos os anos e por todos os Estados. Servem de momento para refletir e buscar
novos caminhos em nossas lutas, e também como forma de divulgar nossas lutas
pela inclusão em todos os segmentos. Lei Nº 11.133, DE 14 DE JULHO DE 2005
Porém, até hoje ainda estamos
lutando, por direito básico e já assegurado na Constituição Federal. Direito de
IR e VIR.
Segundo a ONU calcula que 10% da população do mundo
possuem alguma deficiência, segundo o IBGE de 2010 24,5% da população
brasileira possuem alguma deficiência. Assim somamos 46 milhões de brasileiros
com deficiência física, intelectual ou sensorial.
As estatísticas da ONU dizem que 12% da população vivem com até ½ salário
mínimo, assim teremos em torno de 5,5 milhões de deficientes sobrevivendo com
essa renda familiar no Brasil.
Brasileiros presos em suas deficiências, sem as mínimas condições de
respeito ao ser humano. São tantas as formas de segregações: Cegos sem bengalas,
amputados sem muletas, paraplégicos sem cadeiras de rodas, surdos sem
comunicação, deficientes intelectual isolados. Vivendo no fundo dos quintais, esquecido,
como se o mundo já não vivessem as grandes perspectivas de integração da pessoa
com deficiência.
No Brasil não temos guerras, mas temos nossos
refugiados, isolados, escondidos, amontoados e vivendo em condições quase sub-desumanas.
Temos um grande campo de concentração escondido na inconsciência
generalizada e não nos devemos contentar.
Precisamos ganhar a guerra invisível que vivemos dia a dia. É preciso
denunciar. Só poderemos viver uma democracia quando em nosso país existir a consciência
da existência de 46 milhões de brasileiros com deficiência, com os mesmos
direitos e deveres de todos nós.
Talvez muita das pessoas desde imenso país não soubessem que o problema
era tão grande? Posso dizer é muito pior.
Na maioria das vezes, no imaginário coletivo, quando se fala em direitos
humanos associamos com cadeias lotadas, práticas cruéis e de tortura para
presos. Mas existem várias pessoas que, apesar de ser gente, da mesma espécie
científica dos homo sapiens, parecem invisíveis.
As pessoas com deficiências, que em muitos casos não cometeram nenhum
crime e que ainda pagam impostos, mas são excluídas da possibilidade de
usufruir de direitos humanos básicos, simplesmente por conviverem diariamente
com uma deficiência. Que receberam de presente da vida.
Muitos vão dizer que não, que as pessoas com deficiência também são
sujeitos de direitos, inclusive os humanos e universais, e que a legislação
brasileira e até a nossa Constituição não fala em diferentes níveis de
cidadania. Sabemos disso, porem não vejo avanços significativos e posso dizer o
papel aceita tudo. É muito lindo, porém tentar ir para uma escola, ler um livro
em uma biblioteca pública, pegar um ônibus, comprar uma roupa, trabalhar, ir a
uma igreja, festa e etc. E quase impossível pra nós isso e uma grande aventura.
Quantas vezes você passa por uma porta de sessenta centímetros ou uma
calçada sem rebaixamento. Talvez nem tenha pensado em uma pessoa cadeirante. É
um centímetro faz toda diferença na vida dessas pessoas. É a falta de
acessibilidade total e em todos os sentidos. Programas e propagandas sem
legenda, raras publicações em braile ou áudio visual, banheiro sem nenhuma
acessibilidade, portas estreitas e etc.
Precisamos quebrar estas correntes e gritar que nós existimos e estamos
aqui e sempre estivemos e que não, mas podemos ser simplesmente “Cidadão de
Papel”. Queremos estudar, trabalhar, consumir, viajar, passear, ir e vir sem
impedimento arquitetônico e atitudinais. Queremos ser respeitado pelo que
somos.
Não queremos ser exemplo de vida para ninguém, queremos batalhar e ter
oportunidade igual a todos os brasileiros que luta todos os dias para
sobreviver. Não queremos ser admirados por ter uma deficiência e venceu,
queremos sim ser admirado pelo nosso trabalho.
NILSON GARCEZ
ONG-MID
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